Como tenho tornado meus dispositivos (um pouco) mais privados e seguros

August 22, 2020

Com os aplicativos e sistemas operacionais constantemente registrando, enviando e vendendo seus dados para inúmeras empresas (que farão sabe-se lá o quê com essas informações), é um momento para começar a se preocupar com isso.

Compartilho neste post um pouco da minha experiência recente em transformar meus dispositivos em itens um pouco mais privados e seguros. São algumas substituições e configurações simples que você pode fazer em alguns poucos minutos.

Alterei meu motor de busca padrão para o DuckDuckGo

Antes de falar sobre qualquer outra coisa, preciso começar pela troca do Google pelo DuckDuckGo como meu motor de busca principal.

O DuckDuckGo é um motor de busca gratuito focado em privacidade e resultados fora da “bolha de perfil” e livres de anúncios. Isso significa que os resultados das buscas é consistente e não se baseia em um perfil de uso, onde a ferramenta julga o que você vai achar interessante, ocultando resultados e evidenciando outros. Você pode aprender mais sobre as diferenças entre Google e o serviço no blog da empresa (em inglês).

Tenho a impressão de que os resultados das minhas buscas tem sido muito mais assertivos desde que mudei para o DuckDuckGo. Além claro, de obter anúncios muito menos direcionados onde não consigo aplicar adblockers (no app de Android do Youtube, por exemplo).

Navegador

Utilizo o Firefox como navegador principal no desktop há alguns anos e a experiência sempre foi bem interessante. Recentemente migrei para o Firefox no smartphone também. Aqui, altero o motor de busca de Google para DuckDuckGo, ativo o modo Rigoroso em Privacidade e Segurança, que bloqueia alguns rastreadores e cookies, instalo o Facebook Container (que ajuda a evitar rastreadores da empresa) e o adblock uBlock Origin.

Desativei o Histórico de Atividades da minha conta Google

Não tenho intenção de abandonar minha conta Google por inúmeros motivos. Descobri que é possível excluir e desligar o histórico de todos os conteúdos armazenados na sua conta (de pesquisa Google até histórico de deslocamento no Maps) na página minha Atividade no Google. Fiz isso para todos os itens, com exceção do histórico do YouTube.

Revisitei as configurações de privacidade do smartphone

Meu smartphone é um dispositivo Samsung com Android. As configurações de privacidade de dispositivos Android variam de modelo para modelo, mas o princípio é sempre o mesmo.

Em “privacidade” (dentro do menu de configurações), desativei todas as opções de dados de recebimento de conteúdo de marketing e anúncios personalizados.

Desativei assistentes pessoais

Esse passo aqui é simples. Desativei o Google Assistente no smartphone e a Cortana no desktop com Windows. Menos dispositivos ouvindo o ambiente, mais privacidade.

Revisei permissões de aplicativos

Em configurações > aplicativos > gerar permissões, revisei as permissões que os aplicativos têm acesso. Isso inclui, acesso à câmera, agenda, contatos, localização, microfone e outros itens.

Não faz sentido aplicativos de delivery terem acesso irrestrito a minha localização, por exemplo. Nesse caso, alterei para que a localização esteja disponível apenas no momento do uso do app. Outra permissão que desativei em massa foi a de acesso ao microfone. Certamente você vai se surpreender com a quantidade de aplicativos que tem acesso a essa permissão.

Quais os impactos dessas configurações?

Anúncios direcionados caíram drasticamente. No app do YouTube no smartphone (único lugar onde não consigo bloquear ads), as propagandas têm sido bem genéricas ou são focadas em um perfil completamente diferente do meu – o que é um sinal de que fornecer menos dados para essas empresas funciona.

Além disso, sinto que minha experiência de busca tem sido mais assertiva depois de ter abandonado o Google. O único ponto de atenção é que para conteúdos nacionais, tenho que ativar o filtro de busca local.

Sugiro que você explore as opções de configuração de privacidade do seu smartphone e faça um experimento. Os resultados podem ser bem positivos!


Marcus Pereira é mineiro, desenvolvedor e LGBT. Quando não está programando ou jogando, está falando sobre tecnologia, videogames e música.

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