Professor, por favor NÃO faça o “email da turma”

December 08, 2016

Primeiro dia de aula. O professor dá a introdução da nova disciplina e finaliza com “vou criar o email da turma e disponibilizar todos os conteúdos lá”. Essa é a sinopse de uma história de terror que assombra muitos alunos por aí.

Se você já fez algum curso e teve um professor que utiliza essa dinâmica, sabe muito bem o pesadelo que o email da turma se torna logo nas primeiras semanas de uso. Na teoria, utilizar um email compartilhado onde o professor disponibilize sem muito esforço (e configurações) textos, vídeos e links parece uma boa ideia. Na prática, nem tanto.

Se você tivesse uma caixa postal onde recebesse suas encomendas, você compartilharia a chave com outros 59 estranhos? Provavelmente não. Qualquer um que tiver acesso poderia retirar suas encomendas sem que você percebesse, por exemplo. Um email da turma funciona assim. Contas de email são pessoais e todo o conteúdo enviado e recebido deve ser de responsabilidade do dono.

A situação piora quando há um @gmail da turma. Um @gmail significa uma conta Google associada, que dá acesso a todos os serviços oferecidos pela empresa. É quase certo que alguém vai utilizar (acidentalmente) o email da turma como conta principal do Chrome. Ou seja, todo histórico de navegação, downloads e configurações no navegador serão compartilhados com os demais alunos que também utilizarem a conta no navegador. As chances de links NSFW e/ou maliciosos se espalharem pelos usuários do email da turma são grandes.

Para evitar esses e outros problemas, basta utilizar uma ferramenta gratuita e muito fácil de utilizar: o Google Groups (ou Grupos do Google).

O Google Groups permite criar e participar de fóruns online e grupos baseados em email em uma rica experiência de conversas em comunidade.

O Google Groups é basicamente um fórum virtual baseado em listas de email. Ao criar um grupo, um endereço de email único no formato nomedogrupo@googlegroups.com é criado. O gerente do grupo adiciona o email pessoal de cada participante e voilá. Sempre que alguém enviar uma mensagem para o endereço, todos os participantes recebem uma cópia.

Isso é válido também para as respostas: todo mundo fica por dentro do assunto e o remetente de cada mensagem é identificado. Também é possível acessar groups.google.com, onde o todo o histórico de mensagens fica arquivado, num esquema bem parecido com os clássicos fóruns.

Se até agora você não se convenceu de que é uma boa ideia migrar do email compartilhado para o Google Groups, veja o comparativo abaixo.

É fácil receber notificações de novas mensagens?

Email da sala: Não. Como um email da turma é algo avulso, quase ninguém configura como conta adicional no cliente de email do smartphone, por exemplo. Além disso, o primeiro aluno que abrir uma mensagem acaba por automaticamente marcá-la como lida.

Google Groups: Sim. Os membros do grupo recebem cópias das mensagens enviadas direto no seu email pessoal. As mensagens só são marcadas como lidas quando o usuário efetivamente abri-las.

Alguém mal intencionado pode deletar mensagens / arquivos / anexos importantes propositalmente?

Email da sala: Sim. E provavelmente você nunca vai descobrir quem foi.

Google Groups: Não. Cada membro recebe uma cópia na sua caixa de email pessoal. Caso o membro delete acidentalmente o email com a conversa, é possível acessar todo o histórico em groups.google.com.

É possível enviar mensagens anônimas?

Email da sala: Sim. Um aluno pode enviar um texto ofensivo para um professor, por exemplo. Claro que o remetente pode ser rastreado pelo IP, mas isso é algo consideravelmente trabalhoso.

Google Groups: Não. Todas as mensagens tem seu remetente devidamente identificado.

Há o risco de sincronização do email com o Google Chrome e compartilhamento acidental de histórico e senhas com outras pessoas?

Email da sala: sim.

Google Groups: não.

Se você e sua turma tem problemas recorrentes com um email compartilhado, migre agora para o groups. Se o email da sua turma ainda não foi criado, tome a iniciativa: colete os emails dos seus colegas, crie um grupo e evite as inevitáveis dores de cabeça.

http://groups.google.com


Marcus Pereira é mineiro, desenvolvedor e LGBT. Quando não está programando ou jogando, está falando sobre tecnologia, videogames e música.

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